Choro e Gás

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13 de Julho de 2014. Final de Copa do Mundo entre Alemanha x Argentina. Para os amantes por futebol seria um belo jogo, para os argentinos o tricampeonato tão esperado. Os bares estavam lotados, a concentração no Terreirão do Samba bem animada. Porém, não foi só de Copa do Mundo que milhares de pessoas viveram neste dia. O ato “A festa nos estádios, não vale as lágrimas nas favelas” que dentre inúmeras reivindicações, lembrava o desaparecimento de 1 ano do pedreiro Amarildo de Sousa. A manifestação contou com a presença de diversos ativistas que se concentraram na Praça Saens Peña, onde foram duramente reprimidos por policiais militares.

Minutos antes do jogo começar o cerco já havia sido formado. Policiais criaram verdadeiras barreiras humanas na saídas da praça, sem que deixasse nenhum manifestante sair do local. Depois de diversas confusões generalizadas, bombas de efeito moral, gás de pimenta, tiros de borracha e total descontrole da PM, o que via-se eram muitas lágrimas nos arredores da grande tijuca, jornalistas e ativistas agredidos.

Alguns integrantes do Favela em Foco registraram esses momentos, confiram:

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Paz, Pacificação e UPP na favela


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Nunca aceitei o termo “pacificação”, adotado como slogan pelo governo e repetido por todos os meios de comunicação. Por consenso paz é um estado de espírito desejado e que pode ser alcançado individual ou coletivamente. Muitas vezes é confundido com plenitude, já que não podemos ter paz enquanto não saciarmos nossas necessidades básicas. Então Sem escola não há paz, sem saúde não há paz, sem saneamento básico não há paz, sem lazer não há paz… mas o povo guerreiro das favelas sabe onde encontrar paz, solidariedade, alegria e vontade de viver apesar de tudo.

Foto: Luiz Baltar

Foto: Luiz Baltar

A paz é um estado de equilíbrio e entendimento em si mesmo e entre outros, onde o respeito é adquirido pela aceitação das diferenças, tolerância, os conflitos são resolvidos através do diálogo, os direitos das pessoas são respeitados e suas vozes são ouvidas, e todos estão em seu ponto mais alto de serenidade sem tensão social. Podemos afirmar que a política de “pacificação” não tem como trazer paz para os moradores das comunidades ocupadas, seu objetivo é garantir a sensação de segurança para os moradores do restante da cidade, ou para quem transita nas regiões ocupadas utilizando de força policial e controle territorial onde a democracia não pode ser exercida fora das atividades permitidas.

Foto: Luiz Baltar

Foto: Luiz Baltar

Paz para quem?

Pelas informações do site oficial do BOPE, com o decreto nº 42.787 de 06 de Janeiro de 2011, ficou estabelecido o programa de pacificação, dividindo a implantação de UPP em quatro fases:

1) Intervenção tática;
2) Estabilização;
3) Implantação da UPP;
4) Avaliação e Monitoramento.
O BOPE, como todos sabem, é o batalhão de operações especiais, uma força de intervenção militar treinada para situações críticas e de guerra ao tráfico de drogas. Com mais de três décadas de existência protagonizou inúmeras operações em favelas que terminaram com chacinas e mortes de moradores. Apesar disso, o BOPE ficou encarregado da missão de “pacificar” as comunidades, segundo afirmam no site “…a unidade não somente ocupa o terreno, mas também promove atividades de interação com a comunidade, como reuniões, torneios esportivos, eventos religiosos entre outros.” Com as ações desse novo “comando” as UPPs se tornaram os novos “donos do morro”, decidindo o que pode, o que não pode e quem pode.

Foto: Luiz Baltar

Foto: Luiz Baltar

Segundo Maria Helena Moreira Alves, Doutora em Ciência Política pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts e autora do livro Vivendo no Fogo Cruzado (Unesp), “Onde as UPPs foram instaladas há um Estado de exceção. As pessoas têm seus direitos constitucionais mais básicos desrespeitados no dia a dia. Os policiais entram e saem das casas quando querem, atiram em quem querem, tudo com a justificativa de que se está combatendo um inimigo maior, o traficante. Não é nada muito diferente do que acontecia na ditadura… A polícia mata mais hoje do que na ditadura militar, sem que a sociedade brasileira, em especial as classes média e alta, demonstrem a mesma indignação de outrora. Duas missões da ONU já vieram ver o que acontece no Rio e fizeram relatórios muito sérios”

 

Queremos ser felizes e andar tranqüilamente na favela em que nascemos.

Nesses 5 anos de existência as Unidades de Polícia Pacificadora não conseguiram romper com o modelo de segurança pública que remontam ao império e apenas a continuam colocando em prática as duas primeiras fases do programa de pacificação do BOPE, que são: 1) Intervenção tática; 2) Estabilização.

 

Após as últimas manifestações que acabaram duramente reprimidas, no Complexo do Alemão e em Manguinhos, surgem Plenárias e Assembléias Populares, mostrando que a demanda dos moradores continua sendo por participação e diálogo sobre o futuro da segurança nas favelas. Os moradores do Complexo da Maré preocupados com as violações de direitos que podem ocorrer durante a maior, e talvez a mais bélica, das ocupações militares, estão também se organizando para promover eventos artísticos e assim mobilizar a comunidade e chamar a atenção da população do Rio de Janeiro. A intenção é que não se repitam casos como o desaparecimento do Amarildo na Rocinha e de assassinatos de jovens por policiais como: André de Lima Cardoso (19 anos) Pavão-Pavãozinho, José Carlos Lopes Júnior (19 anos) morador de São João, Thales Pereira Ribeiro D’Adrea (15 anos) e Jackson Lessa dos Santos (20 anos) Morro do Fogueteiro, Mateus Oliveira Casé (16 anos) Manguinhos, Paulo Henrique dos Santos (25 anos) Cidade de Deus, Aliélson Nogueira (21 anos) e Israel Meneses (23 anos) Jacarezinho, Laércio Hilário da Luz Neto (17 anos) Morro do Alemão.

Foto: Luiz Baltar

Foto: Luiz Baltar

Como disseram os moradores do Alemão em seu manifesto: “As propostas de “PAZ” devem ser construídas coletivamente com toda a favela. Não se constrói uma política de paz, com o pé na porta, agredindo gratuitamente seus moradores, não se constrói paz com caveirão. No atual modelo, “independente de quem manda”, os moradores continuam sem ter sua voz ouvida.Temos a consciência que o pobre tem seu lugar.”
Texto e fotos: Luiz Baltar

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Garis em greve

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Milhares de garis – homens e mulheres – se reuniram nesta manhã, 07.03.2014, para mais uma manifestação no centro do Rio de Janeiro. A categoria que reivindica um piso salarial de R$ 1.200,00 por mês, 100% de horas extras aos domingos e feriados, plano odontológico aumento do vale-alimentação, de R$ 12 para R$ 20, entre outras coisas, saiu da Prefeitura do Rio de Janeiro e seguiu até as escadarias da Câmara municipal.

O ato se configurou pela alegria, imaginação, revolta e esperança, entoada por cânticos dirigidos a copa do mundo, ao prefeito Eduardo Paes e a suas causas trabalhistas. Movidos pela bateria nota 10 dos próprios garis com suas caçambas de lixo, latinhas e pandeiros, realizaram uma manifestação comovente, apoiada por diversas pessoas na rua e prédios do centro.

Amanhã, 08.03.2014, as 10hs, em frente a Central do Brasil, ocorrerá mais um ato na cidade. O recado está dado. Se o prefeito não aumentar o salário dos garis, o Rio vai feder!

Foto: Luiz Baltar

Foto: Luiz Baltar

Foto: Léo Lima

Foto: Léo Lima

Foto: Elisângela Leite

Foto: Elisângela Leite

Foto: AF Rodrigues

Foto: AF Rodrigues

 

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A desigualdade no Brasil tem cor, classe e endereço

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Dia de Iemanjá

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Encerrando o 2013 com boas energias, fotógrafos do Favela em Foco saíram a campo, ou melhor, a praia que é a casa da Rainha do Mar na mitologia Afro-brasileira, e acompanharam os festejos em homenagem a Iemanjá. As comemorações ocorreram em diversas partes da cidade com carreatas saindo dos bairros de Madureira e do Estácio que convergiram para a praia de Copacabana, zona sul do Rio. Com cantos, danças e oferendas a Iemanjá, os devotos desejaram um 2014 mais próspero e que a tolerância seja cultivada entre os povos.

FOTO: Luiz Baltar

FOTO: Luiz Baltar

FOTO: Elisângela Leite

FOTO: Elisângela Leite

FOTO: AF Rodrigues

FOTO: AF Rodrigues

A documentação das celebrações para Iemanjá, fazem parte do projeto Folia de Imagens, organizado em 2013 por 20 fotógrafos do Imagens do Povo, nos quais fotografaram o carnaval em diversas cidades brasileiras, na qual a exposição de mesmo nome será inaugurada no dia 17 de janeiro, as 18hs, no Observatório de Favelas na Maré e percorrerá ao longo dos meses pela cidade do Rio de Janeiro em pontos específicos do carnaval. O projeto cresceu e agora pretende documentar festas populares durante todo ano em várias cidades e estados das 5 regiões do Brasil.

Confiram a galeria de imagens

 

 

 

 

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Estado Laico – Papa em Manguinhos

aRTE aTIVA!

 

catolicismo apostólico romano é atualmente a maior religião do Brasil, ativa no país desde o período pré-colonial, quando arbitrariamente introduzida por missionários que acompanhavam os colonizadores portugueses, enquanto escravizavam índios e negros por aqui.  Hoje, a Igreja Católica exerce atualmente grande influência nos aspectos políticos, sociaisculturais de muitos brasileiros, seja no campo simbólico, físico ou ideológico, porém, pesquisas apontam o crescimento da religião evangélica e a queda das religiões afro-brasileiras.
http://www.ibge.gov.br/estadosat/temas.php?sigla=rj&tema=censodemog2010_relig

 

Eu, Léo Lima, atuante do Coletivo Favela em Foco, não pretendo falar e desdobrar a prosa em religião alguma. Neste contemporâneo, algumas questões surgem e me inquietam, e acredito que inquietam os integrantes desse coletivo também, mesmo que por vezes possamos ter opiniões diferentes, temos total liberdade de nossas ações.

Aos que lembram: Um Estado laico é um conceito do secularismo, onde o Estado oficialmente se coloca como neutro em relação às questões religiosas, sendo assim, não apoiam e nem se opõem a nenhuma religião. Esse estado imaginário, “em cima do muro” e Zé Roela, visa  tratar todos seus cidadãos de maneira igualitária, independente da religião e não dá preferência a nenhuma religião também.

Em meio a manifestações e rebeliões populares por todo o Brasil, assassinatos não solucionados em Manguinhos, Jacarezinho e Maré, assim como o desaparecimento de Amarildo, morador da Rocinha e outras tantas causas, nos dias 23 a 28 de julho a JMJ 2013, foi realizada aqui no Rio de Janeiro e reuniu cerca de 3,7 milhões de pessoas, sendo a segunda maior concentração de jovens da história deste evento, custando mais de 
R$ 118 milhões, divididos entre os governos municipal, estadual e federal, referentes a segurança e organização do evento, sem contar os mais de R$ 26 milhões gastos nas obras do entorno e dragagem dos rios próximos ao terreno no bairro de Guaratiba, no qual se transformou em um grande piscinão de lama.

Nesta contradição, a Prefeitura e o Estado burguês, supostamente laico e muito Zé Ruela, justificaram as despesas afirmando que haveria grande mobilização de pessoas pela cidade, o que poderia gerar muitos lucros aos cofres públicos.

Mas… Quem usufrui com esses lucros?

No dia 25/07/2013, o Papa Francisco visitou a favela de Manguinhos, que atualmente sofre com as remoções arbitrárias da prefeitura e historicamente com a falta de serviços fundamentais, como saneamento básico, coleta de lixo, iluminação elétrica, saúde e etc… Nenhuma novidade quando tratamos de favelas em nosso país. Dificilmente o Papa pôde ver o que acontece em Manguinhos, como as remoções de famílias, tendo outras famílias ainda residindo do lado. Provavelmente ele não ficou sabendo da morte do jovem Matheus, 15 anos, dentre outras tantas questões que os próprios ativistas de Manguinhos podem dizer, como os abusos da UPP.

Não dá mais, precisamos discutir e criticar o posicionamento do estado que dá preferencia a certas religiões e ignoram outras, como ano passo quando financiou boa parte da marcha pra Jesus, organizada por Silas Malafaia. Se o estado laico, em sua ideologia não dá preferência, não apoia em nenhuma medida qualquer religião existente, então porque essa verba foi destinada a esses eventos? O estado laico tem como medida tratar todos de maneira igualitária, porém, como bem sabem, no evento do dia 27 em Copacabana, as catracas do metrô Arco Verde foram liberadas por conta das longas filas. Já pensou se o carnaval e a parada gay gritassem, os clássicos no antigo maraca falassem?

Para esse estado laico “PRIVADO” e igualitário, nada disso tem voz. Não interessa para o quem mora ou quem morou em Manguinhos. Importa que o Papa foi ali, “abençoou” a terra, transformando-a em mercado e show buzzines, não com suas mãos e sim com as sujas mãos dos que governam nosso país atualmente.

Afinal, quem é que paga o papa? Ops, o Pato?
Sim, mais uma vez as favelas. E o endereço da vez: Manguinhos!

Confiram as imagens feitas da visita do Papa em manguinhos.

Zé Roela significado informal – http://www.dicionarioinformal.com.br/zé%20ruela/

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Ocupa B1 – Ato Político Cultural contra o descaso da Prefeitura do Rio de Janeiro

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A beira da linha férrea de Del Castilho, com esgoto  a céu aberto, sem a menor coleta regular de lixo, com falta d’gua potável, porém com bastante generosidade, afeto e resistência, os moradores da Favela Bandeira 1, localizada na Rua Domingos Magalhães, 750, (debaixo do viaduto que liga os bairros Del Castilho e Maria da Graça, no Rio de Janeiro) vivem em uma miséria declarada, reconhecida pelo atual governo  e logo ignorada, assim como bem faz ao longo dos anos os grandes monopólios de comunicação.

Foto: Ratão Diniz

Foto: Ratão Diniz

Entendendo essa injustiça descarada, no dia 13 de Julho, sábado, 2013, ativistas, fotógrafos, moradores próximos e pessoas sensibilizadas com a causa organizaram coletivamente o OCUPA B1, que contou com o panelão de feijoada feito pela  Baiana, moradora do Jacarezinho,  oficinas de instrumentos musicais e capoeira com Eduardo Kratochwil, oficinas de fotografia e exposição fotográfica com JV Santos, João Lima, Thamyra Thamara, Léo Lima, Thais Alvarenga, Rafael Ferreira, Ratão Diniz, Luiz Baltar, exibição de curtas, como “Segregação Bandeira 1” de Stefano Fígalo, “100 mil” desenvolvido pela Três Filmes, com participação de Vavá Novais, entre outros contribuidores, como André Constantine, Pamella Souza, Raull Santiago, sem falar a exposição de desenhos feitos pelas crianças da B1.

Foto: Luiz Baltar

Foto: Luiz Baltar

 
Foto: João Lima

Foto: João Lima

Léo Lima_001Como sabem, fotógrafos se propuseram a documentar a favela logo após o incêndio, ocorrido no dia 15 de maio, atendendo a pedidos da associação dos moradores do local e de amigos próximos. Segundo a vice-presidente, Cristiane Roque, diversas vezes ela se dirigiu ao prédio da prefeitura e a sala da secretaria municipal de habitação para conversar com representantes e resolver os problemas da favela.

          Eram cerca de 150 famílias residentes na favela, com o incêndio 80 famílias tiveram             que dividir espaço com outras pessoas nos barracos de madeira, outras tiveram que             sair para outras favelas ,pelo menos até que o cheque de 400,00 do aluguel social                   fosse entregue a todos. Com a constante luta, pessoas foram cadastradas, essas 80                 familias conseguiram e logo saíram do local insalubre, indigno. Entretanto, os demais            cheques não foram mais liberados. O que causou ainda mais revolta e desesperança              nos moradores.

         O quadro atualmente é de extrema urgência, afinal os moradores que vivem ali por              mais de 15 anos, nunca passaram por uma situação similar a essa. Em resumo, não é           de hoje que o descaso do estado se faz presente e os moradores da favela Bandeira 1             contam com o auxilio d todos nós, seja juridicamente, simbolicamente ou                                 pessoalmente, concedendo-os atenção e carinho. O Presidente da Secretaria Municipal         de Habitação, órgão responsável pelo caso é o Sr. Pierre Batista;

Confiram as imagens do Ocupa B1 aqui;

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