Ocupa B1 – Ato Político Cultural contra o descaso da Prefeitura do Rio de Janeiro

ARTE

A beira da linha férrea de Del Castilho, com esgoto  a céu aberto, sem a menor coleta regular de lixo, com falta d’gua potável, porém com bastante generosidade, afeto e resistência, os moradores da Favela Bandeira 1, localizada na Rua Domingos Magalhães, 750, (debaixo do viaduto que liga os bairros Del Castilho e Maria da Graça, no Rio de Janeiro) vivem em uma miséria declarada, reconhecida pelo atual governo  e logo ignorada, assim como bem faz ao longo dos anos os grandes monopólios de comunicação.

Foto: Ratão Diniz

Foto: Ratão Diniz

Entendendo essa injustiça descarada, no dia 13 de Julho, sábado, 2013, ativistas, fotógrafos, moradores próximos e pessoas sensibilizadas com a causa organizaram coletivamente o OCUPA B1, que contou com o panelão de feijoada feito pela  Baiana, moradora do Jacarezinho,  oficinas de instrumentos musicais e capoeira com Eduardo Kratochwil, oficinas de fotografia e exposição fotográfica com JV Santos, João Lima, Thamyra Thamara, Léo Lima, Thais Alvarenga, Rafael Ferreira, Ratão Diniz, Luiz Baltar, exibição de curtas, como “Segregação Bandeira 1” de Stefano Fígalo, “100 mil” desenvolvido pela Três Filmes, com participação de Vavá Novais, entre outros contribuidores, como André Constantine, Pamella Souza, Raull Santiago, sem falar a exposição de desenhos feitos pelas crianças da B1.

Foto: Luiz Baltar

Foto: Luiz Baltar

 
Foto: João Lima

Foto: João Lima

Léo Lima_001Como sabem, fotógrafos se propuseram a documentar a favela logo após o incêndio, ocorrido no dia 15 de maio, atendendo a pedidos da associação dos moradores do local e de amigos próximos. Segundo a vice-presidente, Cristiane Roque, diversas vezes ela se dirigiu ao prédio da prefeitura e a sala da secretaria municipal de habitação para conversar com representantes e resolver os problemas da favela.

          Eram cerca de 150 famílias residentes na favela, com o incêndio 80 famílias tiveram             que dividir espaço com outras pessoas nos barracos de madeira, outras tiveram que             sair para outras favelas ,pelo menos até que o cheque de 400,00 do aluguel social                   fosse entregue a todos. Com a constante luta, pessoas foram cadastradas, essas 80                 familias conseguiram e logo saíram do local insalubre, indigno. Entretanto, os demais            cheques não foram mais liberados. O que causou ainda mais revolta e desesperança              nos moradores.

         O quadro atualmente é de extrema urgência, afinal os moradores que vivem ali por              mais de 15 anos, nunca passaram por uma situação similar a essa. Em resumo, não é           de hoje que o descaso do estado se faz presente e os moradores da favela Bandeira 1             contam com o auxilio d todos nós, seja juridicamente, simbolicamente ou                                 pessoalmente, concedendo-os atenção e carinho. O Presidente da Secretaria Municipal         de Habitação, órgão responsável pelo caso é o Sr. Pierre Batista;

Confiram as imagens do Ocupa B1 aqui;

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Sobre Coletivo Favela em Foco

A história Tudo começou no ano de 2007 na favela do Jacarezinho, depois de jovens da comunidade experimentarem uma oficina de fotografia dada por Fabio Caffé e Rovenna Rosa, fotógrafos da agência fotográfica Imagens do Povo, do Observatório de Favelas. Oficina essa que fez despertar o olhar dos jovens, e assim decidiram se reunir para criar uma mídia alternativa. Documentando o dia a dia da favela do Jacarezinho, no conceito de cultura/arte e a falta delas. O projeto era financiado pelo Cenpec e o Itaú Social, nos quais disponibilizavam verba para a condução do projeto. O projeto era feito na Ong Saúde e Cidadania, na favela do Jacarezinho. Onde os jovens criavam pautas, com a intenção de criar uma revista, que seria distribuída sem custo algum aos moradores do Jacarezinho, e as comunidades próximas, além dos colégios, ongs, empresas próximas. O projeto foi batizado de “Jacarezinho em Foco” e foi criado justamente para levar informação verdadeira de um cotidiano de vida muito pouco explorado. E que essa informação fosse distribuída por outros meios de comunicação (vídeos, blogs, sites de relacionamento). Com a proposta real de mudar o estereotipo que ainda se tem da favela, e que os temas abordados nas pautas sejam vistos com mais sensibilidade. Mostrando para quem quiser ver que na favela existe sim, gente que faz e acontece, tem suas dificuldades como em qualquer outro lugar, mas vive com harmonia e felicidade no local onde nasceu, cresceu, que vive onde vive por opção, e não por necessidade. Eram 6 pautas abordadas, cada qual com sua peculariedade de informação. Os jovens se organizavam para ir nas casas das pessoas, e assim se familiarizando com os moradores da comunidade. Sendo que, depois de 2 meses de projeto e 1 edição criada, o projeto infelizmente não teve continuidade. Já que os financiadores não permaneceram devido a cláusulas no contrato onde se dizia que o financiamento só seria feito no inicio do projeto, e que logo em seguida deveria ser tocado sozinho. Ou seja um auto sustentamento no qual não foi pensado na criação do projeto. Assim sem verba, alguns do jovens do Jacarezinho disperçaram um pouco, outros por necessidade precisaram sair para arrumar emprego. Infelizmente não foi dado continuidade, mas os jovens que permaneceram focados no que queriam, não desistiram. E no ano de 2009 os poucos jovens que ainda sonhavam com o projeto, se inscreveram na escola de fotógrafos populares por intermédio do antigo e até então professor e fotógrafo Fábio Caffé. Assim foi se reascendendo a chama mais uma vez pela fotografia. Assim, sabendo da dificuldade de divulgação do até então “Jacarezinho em Foco”. O professor Fábio Caffé deu uma forcinha, e informou a revista Viração, lá de São Paulo sobre o trabalho que tais jovens haviam feito. Logo depois de 1 mês depois da conversa... surgiu o interesse da redação da revista de divulgar uma galeria de fotos dessa galera na edição. Bem, feito isso os jovens começaram a criar esperanças mais acessas novamente. E, começaram a se reunir junto com outros integrantes da escola, inclusive fotógrafos formados da própria escola, para dar continuidade no projeto. Enquanto os jovens começavam a se reunir para o que de verdade gostariam de fazer... Alguns exemplares foram enviados e apresentados aos alunos da escola de fotógrafos populares, em sala de aula. Foi ae que a emoção tomou conta de todos, e de principalmente dos jovens participantes do “Jacarezinho em Foco” era uma parte do sonho sendo realizado. O que serviu de estímulo para a galera, e depois de algumas reuniões foi criado o até então, Coletivo Multimídia Favela em Foco.
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3 respostas para Ocupa B1 – Ato Político Cultural contra o descaso da Prefeitura do Rio de Janeiro

  1. Lucas de Paiva Nascimento disse:

    Muitas pessoas, necessitam de uma oportunidade para saber que a vida não necessariamente se baseia naquilo que ela esta vivendo. Ações como ocupa b1, mostra para essas pessoas que onde elas moram podem estar uma mar de sentimentos que não se encontra em “lugares chiques” como alegrias, união, amizade etc. São projetos como esse que a nossa sociedade precisa para quebra a barreira do pré-conceito e da discriminação. Parabéns pelo trabalho com certeza vocês deram mais um motivo para essas crianças acreditarem na vida.

  2. Pingback: (Fotos) Ocupa B1 – Ato Político Cultural contra o descaso da Prefeitura do Rio de Janeiro (RJ) | Pela Moradia

  3. Olá, gostamos muito do seu blog e gostaríamos que visitasse o nosso : http://agorafazuo.wordpress.com/ . Desde já, agradecemos pela atenção!

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