2 anos de descaso em Niterói

Foto: Paulo Barros

Após 2 anos da tragédia das chuvas em Niterói , retornei ao Morro do Bumba, um dos locais mais atingidos. Dessa vez fui acompanhado pelo fotografo Daniel Marenco da Folha de São Paulo.

Nossa primeira parada foi no 1° BI, local onde muitas vitimas estavam abrigadas. Como já esperava, a entrada não foi permitida pela equipe que trabalhava na administração do local e muito menos pela Prefeitura de Niterói. Mesmo assim, conseguimos ouvir relatos de pessoas que contam que a situação nos abrigos é precária. Uma das pessoas com quem conversamos    diz que hoje tem o abrigo com a sua casa e tenta manter o seu espaço o mais organizado e arrumado, já é sua casa.

Depois dessa passagem pelo 1° BI fomos ao morro. O local do deslizamento se tornou uma praça e foi coberta por um extenso gramado, conversando com algumas pessoas, um ex-morador Sr. Sergio nos levou ao alto do morro, lá encontramos pessoas ainda residindo.  Na primeira parada conhecemos um senhor que estava morando em uma casa que a defesa civil havia interditado, ele nos conta que o motivo que o mantém ali é não conseguir encontrar locais para locação com o valor que recebe do aluguel social. Indo mais a diante encontramos dona Patrícia, ela nos conta que na época do deslizamento ficou fora do morro por 15 dias na casa de familiares e depois desse período retornou para o local. Ela diz ter medo quando chove, pois não sabe se pode haver novos deslizamento no local.

Subimos mais e não encontramos pessoas, na descida conhecemos Thiago, um jovem de 20 anos que é vizinho de dona Patricia. Ele nos conta que desde o deslizamento não saiu da casa e nos leva aos fundos de onde mora e nos deparamos com mais casas que segundo ele, estão sendo habitadas.

Na saída do morro vimos que o governo está construindo na frente do morro um conjunto habitacional com 180 apartamentos  que deveria ter sido entregue no ano passado, porém as obras estão paradas. Todas as pessoas que falaram com a gente comentaram sobre esse o conjunto habitacional e enxergam a entrega das casas nesse ano, como uma possível manobra eleitoral. Agora nos resta infelizmente ficar de olho e vermos o que os políticos vão fazer quanto a situação dos desabrigados, os que estão em área de risco e a entrega dos apartamentos.

Estamos vivos e não esquecemos!

Texto e Foto: Paulo Barros

Foto: Paulo Barros

Moradora espera uma solução por moradia


Na segunda feira acontecerá uma manifestação em Niterói, o horario e o local ainda está sendo definido, assim que soubermos, daremos a informação.

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Sobre Coletivo Favela em Foco

A história Tudo começou no ano de 2007 na favela do Jacarezinho, depois de jovens da comunidade experimentarem uma oficina de fotografia dada por Fabio Caffé e Rovenna Rosa, fotógrafos da agência fotográfica Imagens do Povo, do Observatório de Favelas. Oficina essa que fez despertar o olhar dos jovens, e assim decidiram se reunir para criar uma mídia alternativa. Documentando o dia a dia da favela do Jacarezinho, no conceito de cultura/arte e a falta delas. O projeto era financiado pelo Cenpec e o Itaú Social, nos quais disponibilizavam verba para a condução do projeto. O projeto era feito na Ong Saúde e Cidadania, na favela do Jacarezinho. Onde os jovens criavam pautas, com a intenção de criar uma revista, que seria distribuída sem custo algum aos moradores do Jacarezinho, e as comunidades próximas, além dos colégios, ongs, empresas próximas. O projeto foi batizado de “Jacarezinho em Foco” e foi criado justamente para levar informação verdadeira de um cotidiano de vida muito pouco explorado. E que essa informação fosse distribuída por outros meios de comunicação (vídeos, blogs, sites de relacionamento). Com a proposta real de mudar o estereotipo que ainda se tem da favela, e que os temas abordados nas pautas sejam vistos com mais sensibilidade. Mostrando para quem quiser ver que na favela existe sim, gente que faz e acontece, tem suas dificuldades como em qualquer outro lugar, mas vive com harmonia e felicidade no local onde nasceu, cresceu, que vive onde vive por opção, e não por necessidade. Eram 6 pautas abordadas, cada qual com sua peculariedade de informação. Os jovens se organizavam para ir nas casas das pessoas, e assim se familiarizando com os moradores da comunidade. Sendo que, depois de 2 meses de projeto e 1 edição criada, o projeto infelizmente não teve continuidade. Já que os financiadores não permaneceram devido a cláusulas no contrato onde se dizia que o financiamento só seria feito no inicio do projeto, e que logo em seguida deveria ser tocado sozinho. Ou seja um auto sustentamento no qual não foi pensado na criação do projeto. Assim sem verba, alguns do jovens do Jacarezinho disperçaram um pouco, outros por necessidade precisaram sair para arrumar emprego. Infelizmente não foi dado continuidade, mas os jovens que permaneceram focados no que queriam, não desistiram. E no ano de 2009 os poucos jovens que ainda sonhavam com o projeto, se inscreveram na escola de fotógrafos populares por intermédio do antigo e até então professor e fotógrafo Fábio Caffé. Assim foi se reascendendo a chama mais uma vez pela fotografia. Assim, sabendo da dificuldade de divulgação do até então “Jacarezinho em Foco”. O professor Fábio Caffé deu uma forcinha, e informou a revista Viração, lá de São Paulo sobre o trabalho que tais jovens haviam feito. Logo depois de 1 mês depois da conversa... surgiu o interesse da redação da revista de divulgar uma galeria de fotos dessa galera na edição. Bem, feito isso os jovens começaram a criar esperanças mais acessas novamente. E, começaram a se reunir junto com outros integrantes da escola, inclusive fotógrafos formados da própria escola, para dar continuidade no projeto. Enquanto os jovens começavam a se reunir para o que de verdade gostariam de fazer... Alguns exemplares foram enviados e apresentados aos alunos da escola de fotógrafos populares, em sala de aula. Foi ae que a emoção tomou conta de todos, e de principalmente dos jovens participantes do “Jacarezinho em Foco” era uma parte do sonho sendo realizado. O que serviu de estímulo para a galera, e depois de algumas reuniões foi criado o até então, Coletivo Multimídia Favela em Foco.
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