Vamos tomar uma Providência

Na manhã desta Terça feira, dia 19/07, no Morro da Favela (Providência), por volta de 08h00 horas, fotógrafos, jornalistas, moradores do local, parceiros e muitos policiais fortemente armados, estiveram mais uma vez presentes na Praça Américo Brum, lugar onde estavam acontecendo desde domingo manifestações contra a derrubada da quadra de lazer para a construção de um teleférico.

Dona Dorcelina, 53 anos é uma guerreira nascida e criada no Morro da Favela.

Policiais, muitos policiais estavam apostos na localidade enquanto os moradores iam chegando aos poucos. Olhares estranhos eram trocados, o comércio começava abrir suas portas e o silêncio era o que dominava o momento.
A Líder comunitária, Rosieti Marinho, 53 anos, começava a mobilizar mais uma vez o pessoal para saírem às ruas e encararem o fato que estava por vir. Moradores com meias para proteger seus pés do frio, fumando seus cigarros, tomando seu café e com os tradicionais, bom dia! Oi querido! Tudo bem? Iam contagiando o povo que meio a timidez começavam a ocupar a praça.
Mas numa velocidade ainda maior, chegavam os operários da prefeitura do rio de janeiro, que somando forças apareciam com tapumes de madeira, pregos, marretas e máquinas de perfuração.
O papo já tava dado, a policia militar já estava avisada que os “marginais” estariam lá mais uma vez para fazerem “baderna”. Seria essa a explicação pelo arsenal bélico e poderoso da entidade? Segundo o comandante, responsável pela Unidade de Policia Pacificadora (UPP) do lugar, era por pura precaução, para justamente garantir a segurança das pessoas.
Depois de muito fala-fala, os operários acabaram entrando na quadra e começaram a perfurar o chão. Víamos pessoas que fazem parte da obra rindo, enquanto os moradores brigavam e conversavam com os “responsáveis” mais próximos, ou mediadores de conflito para terem uma resposta sobre o que pelo menos iria acontecer com eles no futuro.
Em meio a tudo isso, a manifestação acontecia. Moradoras seguravam uma faixa dizendo: “O governo quer destruir o que a comunidade construiu”. Crianças também participavam diretamente da manifestação, até porque não tiveram o mínimo de respeito com seus pais ou com eles mesmos. Simplesmente ninguém avisou que não haveria treino de futebol no dia, e nem onde serão os treinos. Eram diversos meninos com chuteiras e meiões, não pelo frio, mas se tremiam de vontade de jogar bola na quadra, o que infelizmente não acontecerá mais, nunca mais!
Os moradores não se conformaram com a atitude que o governo tomou frente a essa obra. Segundo Márcia Martins, moradora a 45 anos de Morro, achou que deveriam primeiro chegar em cima dos moradores e ter dado o papo reto. O papo tava reto, como sempre foi, reto e vertical, a voz do povo, historicamente só é ouvida quando uma gigantesca massa vai às ruas. Um grupo considerado pequeno para o tamanho da Favela, assim seria muito difícil alarmar e agregar mais pessoas de outras localidades, como foi.
Super emocionado, Senhor Nélio, 63 anos, nascido e criado no Morro fala: Nós queremos é dignidade, respeito e liberdade pra gente usar o que é nosso! Uma comunidade centenária como essa não pode se acabar dessa maneira, o povo está iludido com o aluguel social!
Senhor Nélio chorava muito, assim como Eva Márcia, Márcia Martins, Rosieti Marinho, Dona Penha, Dona Glorinha “CINTRA-Se” à vontade, Dona Dorcelina, Dona Dirce, Sr Sílvio Ronaldo, que chegou a falar que precisariam matá-lo, para criarem tal obra faraônica no lugar onde ele nasceu, cresceu e gostaria de ver seus filhos e netos fazerem o mesmo, enfim, são pessoas de bem, que trabalham, labutam, são felizes e tristes como todos os seres humanos. Há a necessidade de intimidarem as pessoas com fuzis? A necessidade de rirem olhando para os moradores enquanto trabalham? A necessidade de tal obra, para turistas saírem da Cidade do Samba, passar pra ver os mirantes na Providência e depois descerem para a Central? Qual o intuito desse turismo idiota que não prevê o diálogo com os arquitetos dessa história centenária. Os moradores do Morro da Favela, que é como eles gostam de ser reconhecidos, por toda essa história linda e guerreira da comunidade, também gostariam de saber as respostas desse labirinto de perguntas com siglas e mais siglas que ninguém entende mais nada. Aliás, nunca entenderam, não porque não possuem capacidade, mas porque não foi dito mesmo!

Não vem com essa de democracia, revitalização, habitação
O soco na alma que essa comunidade sofreu hoje, precisa ser mostrada. Só quem estava lá, pra ver a agonia que dá… Você olhar nos olhos vermelhos dessas pessoas… E ver que a opinião do povo trabalhador, não vale de PORRA NENHUMA! Não vale um pingo das lágrimas, que eles ali deixaram.
Desculpem os leitores, se me utilizei dessa emoção para expor o que eu penso nesse texto. Nunca vamos deixar de lutar com garra e opinião. Agente quebra no diálogo, na história, é ela que vale pra quem acredita.
As favelas por um futuro de luta e de glórias!

Léo Lima

Vejam a galeria de fotos que vai se atualizando pelo dia

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Sobre Coletivo Favela em Foco

A história Tudo começou no ano de 2007 na favela do Jacarezinho, depois de jovens da comunidade experimentarem uma oficina de fotografia dada por Fabio Caffé e Rovenna Rosa, fotógrafos da agência fotográfica Imagens do Povo, do Observatório de Favelas. Oficina essa que fez despertar o olhar dos jovens, e assim decidiram se reunir para criar uma mídia alternativa. Documentando o dia a dia da favela do Jacarezinho, no conceito de cultura/arte e a falta delas. O projeto era financiado pelo Cenpec e o Itaú Social, nos quais disponibilizavam verba para a condução do projeto. O projeto era feito na Ong Saúde e Cidadania, na favela do Jacarezinho. Onde os jovens criavam pautas, com a intenção de criar uma revista, que seria distribuída sem custo algum aos moradores do Jacarezinho, e as comunidades próximas, além dos colégios, ongs, empresas próximas. O projeto foi batizado de “Jacarezinho em Foco” e foi criado justamente para levar informação verdadeira de um cotidiano de vida muito pouco explorado. E que essa informação fosse distribuída por outros meios de comunicação (vídeos, blogs, sites de relacionamento). Com a proposta real de mudar o estereotipo que ainda se tem da favela, e que os temas abordados nas pautas sejam vistos com mais sensibilidade. Mostrando para quem quiser ver que na favela existe sim, gente que faz e acontece, tem suas dificuldades como em qualquer outro lugar, mas vive com harmonia e felicidade no local onde nasceu, cresceu, que vive onde vive por opção, e não por necessidade. Eram 6 pautas abordadas, cada qual com sua peculariedade de informação. Os jovens se organizavam para ir nas casas das pessoas, e assim se familiarizando com os moradores da comunidade. Sendo que, depois de 2 meses de projeto e 1 edição criada, o projeto infelizmente não teve continuidade. Já que os financiadores não permaneceram devido a cláusulas no contrato onde se dizia que o financiamento só seria feito no inicio do projeto, e que logo em seguida deveria ser tocado sozinho. Ou seja um auto sustentamento no qual não foi pensado na criação do projeto. Assim sem verba, alguns do jovens do Jacarezinho disperçaram um pouco, outros por necessidade precisaram sair para arrumar emprego. Infelizmente não foi dado continuidade, mas os jovens que permaneceram focados no que queriam, não desistiram. E no ano de 2009 os poucos jovens que ainda sonhavam com o projeto, se inscreveram na escola de fotógrafos populares por intermédio do antigo e até então professor e fotógrafo Fábio Caffé. Assim foi se reascendendo a chama mais uma vez pela fotografia. Assim, sabendo da dificuldade de divulgação do até então “Jacarezinho em Foco”. O professor Fábio Caffé deu uma forcinha, e informou a revista Viração, lá de São Paulo sobre o trabalho que tais jovens haviam feito. Logo depois de 1 mês depois da conversa... surgiu o interesse da redação da revista de divulgar uma galeria de fotos dessa galera na edição. Bem, feito isso os jovens começaram a criar esperanças mais acessas novamente. E, começaram a se reunir junto com outros integrantes da escola, inclusive fotógrafos formados da própria escola, para dar continuidade no projeto. Enquanto os jovens começavam a se reunir para o que de verdade gostariam de fazer... Alguns exemplares foram enviados e apresentados aos alunos da escola de fotógrafos populares, em sala de aula. Foi ae que a emoção tomou conta de todos, e de principalmente dos jovens participantes do “Jacarezinho em Foco” era uma parte do sonho sendo realizado. O que serviu de estímulo para a galera, e depois de algumas reuniões foi criado o até então, Coletivo Multimídia Favela em Foco.
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