Manifestação em Niterói, 2011

FOTO: AF Rodrigues

Há um ano, a vida dos moradores de vários locais em Niterói mudava completamente.

 

Na noite do dia 6 de abril de 2010, o estado do Rio de Janeiro era castigado por fortes chuvas. Tais chuvas causaram deslizamentos que foram destruindo vidas e sonhos. Uma área que abrigava muitas famílias e diversos lares desceu por água abaixo.

 

Casas e pessoas foram arruinadas, carregadas e soterradas pela imensa quantidade de lama, barro e pedra. Vários cidadãos morreram. Os dados oficiais contabilizam 48 mortos. Contudo, os moradores que vivenciaram o desastre afirmam que o número é muito superior.
Após a tragédia muito foi prometido e pouco (quase nada) foi feito. Os desabrigados continuam alocados em abrigos improvisados. Tais abrigos ficam em unidades militares desativadas. Nestes locais, os desabrigados têm uma vida dura, habitando num ambiente de condições extremamente precárias e sem estrutura alguma.

 

As pessoas que ali estão – segundo o Poder Público, provisoriamente -, não têm previsão de quando irão receber os apartamentos que o Estado prometeu. Além disso, muitas famílias reclamam do pagamento do aluguel social que não é regular.

 

Nesse sentido, ontem (06.04.2011) foi realizada uma manifestação em memória das vítimas desta tragédia como também, dar continuidade as lutas pelos direitos básicos omitido pelas forças políticas vigentes. Esta manifestação saiu da Prefeitura Velha de Niterói e se fez importante, pois resgatou o debate sobre a questão do direito a moradia digna.

 

A passeata foi considerada um sucesso e reuniu diferentes organizações da sociedade civil em um discurso unificado. Também foi carregada com momentos de grande emoção quando foram lembradas as vítimas de morte e desaparecimento no desastre. A truculência da polícia militar do local também esteve presente, causando momentos de tensão e um homem acabou sendo preso.

 

Clique aqui e veja o vídeo com algumas imagens

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Sobre Coletivo Favela em Foco

A história Tudo começou no ano de 2007 na favela do Jacarezinho, depois de jovens da comunidade experimentarem uma oficina de fotografia dada por Fabio Caffé e Rovenna Rosa, fotógrafos da agência fotográfica Imagens do Povo, do Observatório de Favelas. Oficina essa que fez despertar o olhar dos jovens, e assim decidiram se reunir para criar uma mídia alternativa. Documentando o dia a dia da favela do Jacarezinho, no conceito de cultura/arte e a falta delas. O projeto era financiado pelo Cenpec e o Itaú Social, nos quais disponibilizavam verba para a condução do projeto. O projeto era feito na Ong Saúde e Cidadania, na favela do Jacarezinho. Onde os jovens criavam pautas, com a intenção de criar uma revista, que seria distribuída sem custo algum aos moradores do Jacarezinho, e as comunidades próximas, além dos colégios, ongs, empresas próximas. O projeto foi batizado de “Jacarezinho em Foco” e foi criado justamente para levar informação verdadeira de um cotidiano de vida muito pouco explorado. E que essa informação fosse distribuída por outros meios de comunicação (vídeos, blogs, sites de relacionamento). Com a proposta real de mudar o estereotipo que ainda se tem da favela, e que os temas abordados nas pautas sejam vistos com mais sensibilidade. Mostrando para quem quiser ver que na favela existe sim, gente que faz e acontece, tem suas dificuldades como em qualquer outro lugar, mas vive com harmonia e felicidade no local onde nasceu, cresceu, que vive onde vive por opção, e não por necessidade. Eram 6 pautas abordadas, cada qual com sua peculariedade de informação. Os jovens se organizavam para ir nas casas das pessoas, e assim se familiarizando com os moradores da comunidade. Sendo que, depois de 2 meses de projeto e 1 edição criada, o projeto infelizmente não teve continuidade. Já que os financiadores não permaneceram devido a cláusulas no contrato onde se dizia que o financiamento só seria feito no inicio do projeto, e que logo em seguida deveria ser tocado sozinho. Ou seja um auto sustentamento no qual não foi pensado na criação do projeto. Assim sem verba, alguns do jovens do Jacarezinho disperçaram um pouco, outros por necessidade precisaram sair para arrumar emprego. Infelizmente não foi dado continuidade, mas os jovens que permaneceram focados no que queriam, não desistiram. E no ano de 2009 os poucos jovens que ainda sonhavam com o projeto, se inscreveram na escola de fotógrafos populares por intermédio do antigo e até então professor e fotógrafo Fábio Caffé. Assim foi se reascendendo a chama mais uma vez pela fotografia. Assim, sabendo da dificuldade de divulgação do até então “Jacarezinho em Foco”. O professor Fábio Caffé deu uma forcinha, e informou a revista Viração, lá de São Paulo sobre o trabalho que tais jovens haviam feito. Logo depois de 1 mês depois da conversa... surgiu o interesse da redação da revista de divulgar uma galeria de fotos dessa galera na edição. Bem, feito isso os jovens começaram a criar esperanças mais acessas novamente. E, começaram a se reunir junto com outros integrantes da escola, inclusive fotógrafos formados da própria escola, para dar continuidade no projeto. Enquanto os jovens começavam a se reunir para o que de verdade gostariam de fazer... Alguns exemplares foram enviados e apresentados aos alunos da escola de fotógrafos populares, em sala de aula. Foi ae que a emoção tomou conta de todos, e de principalmente dos jovens participantes do “Jacarezinho em Foco” era uma parte do sonho sendo realizado. O que serviu de estímulo para a galera, e depois de algumas reuniões foi criado o até então, Coletivo Multimídia Favela em Foco.
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Uma resposta para Manifestação em Niterói, 2011

  1. Valeu galera, essa iniciativa é manera!!!

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