Retorno ao Morro do Bumba

No dia em que a tragédia do Morro do Bumba completou dois meses (segundo os moradores, foi no dia 3 de abril que aconteceu o primeiro desmoronamento com vítimas fatais no morro), o Favela em Foco retornou ao bairro Viçoso Jardim, Zona Norte de Niterói, e registrou cenas e depoimentos do que restou e dos que restaram no cenário.

Morador caminhando com pertences no local do deslizamento

 Na parte mais atingida pelos deslizamentos de terra no Morro do Bumba, pouca coisa restou. As casas que resistiram foram praticamente todas removidas pela prefeitura. Após 2 meses de procura por corpos e destroços, os bombeiros, que haviam encerrado as buscas no fim do mês passado, foram intimados por uma ordem judicial a retomarem os trabalhos. Segundo os moradores, 18 corpos ainda estão sob a terra e o local sofre com o abandono das autoridades.

Equipe continua com as buscas

Sr. Jorge, 40 anos, mora há 15 anos em Viçoso Jardim, viu a casa da sua irmã ser destruída pelos tratores da defesa civil e hoje briga com as autoridades pelo direito de permanecer na região. Ele alega que sua casa não foi condenada e está inseguro em relação a assistência da prefeitura aos que foram atingidos pelos deslizamentos.

No lado oposto ao qual aconteceu o maior deslizamento do Morro do Bumba, na região chamada de Capim Melado, encontramos moradores que ainda esperam respostas da defesa civil municipal em relação às suas casas comprometidas pelas fortes chuvas do mês de abril.

Dona Geane, 24 anos, denuncia que desde os deslizamentos, a comunidade está com a energia elétrica e o abastecimento de água cortados.

“Estamos esperando até agora a defesa civil vir aqui para nos dar alguma assistência”. Porém os sintomas maiores estão sentidos pelo seu filho, Rafael, 5 anos. O menino ficou traumatizado após assistir aos deslizamentos ocorridos. 

Sr. Adílson, 48 anos, é compositor e um personagem bem conhecido da região do Morro do Bumba, onde mora desde que nasceu. Adílson acredita que o momento após a tragédia seria ideal para a reconstrução da comunidade com infra-estrutura e não para a extinção dela.

Construções demolidas pela Prefeitura

De acordo com a Caixa Econômica Federal, ainda não há previsão para a liberação do benefício para os trabalhadores atingidos na tragédia do morro do Bumba, há dois meses. Apesar do Senado ter autorizado a liberação do dinheiro, a Caixa afirma ainda não ter recebido o decreto que autoriza o saque. Neste ano, o benefício já foi liberado no Estado para os moradores de Angra dos Reis, Duque de Caxias e Niterói, que termina no dia 29 julho.

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Sobre Coletivo Favela em Foco

A história Tudo começou no ano de 2007 na favela do Jacarezinho, depois de jovens da comunidade experimentarem uma oficina de fotografia dada por Fabio Caffé e Rovenna Rosa, fotógrafos da agência fotográfica Imagens do Povo, do Observatório de Favelas. Oficina essa que fez despertar o olhar dos jovens, e assim decidiram se reunir para criar uma mídia alternativa. Documentando o dia a dia da favela do Jacarezinho, no conceito de cultura/arte e a falta delas. O projeto era financiado pelo Cenpec e o Itaú Social, nos quais disponibilizavam verba para a condução do projeto. O projeto era feito na Ong Saúde e Cidadania, na favela do Jacarezinho. Onde os jovens criavam pautas, com a intenção de criar uma revista, que seria distribuída sem custo algum aos moradores do Jacarezinho, e as comunidades próximas, além dos colégios, ongs, empresas próximas. O projeto foi batizado de “Jacarezinho em Foco” e foi criado justamente para levar informação verdadeira de um cotidiano de vida muito pouco explorado. E que essa informação fosse distribuída por outros meios de comunicação (vídeos, blogs, sites de relacionamento). Com a proposta real de mudar o estereotipo que ainda se tem da favela, e que os temas abordados nas pautas sejam vistos com mais sensibilidade. Mostrando para quem quiser ver que na favela existe sim, gente que faz e acontece, tem suas dificuldades como em qualquer outro lugar, mas vive com harmonia e felicidade no local onde nasceu, cresceu, que vive onde vive por opção, e não por necessidade. Eram 6 pautas abordadas, cada qual com sua peculariedade de informação. Os jovens se organizavam para ir nas casas das pessoas, e assim se familiarizando com os moradores da comunidade. Sendo que, depois de 2 meses de projeto e 1 edição criada, o projeto infelizmente não teve continuidade. Já que os financiadores não permaneceram devido a cláusulas no contrato onde se dizia que o financiamento só seria feito no inicio do projeto, e que logo em seguida deveria ser tocado sozinho. Ou seja um auto sustentamento no qual não foi pensado na criação do projeto. Assim sem verba, alguns do jovens do Jacarezinho disperçaram um pouco, outros por necessidade precisaram sair para arrumar emprego. Infelizmente não foi dado continuidade, mas os jovens que permaneceram focados no que queriam, não desistiram. E no ano de 2009 os poucos jovens que ainda sonhavam com o projeto, se inscreveram na escola de fotógrafos populares por intermédio do antigo e até então professor e fotógrafo Fábio Caffé. Assim foi se reascendendo a chama mais uma vez pela fotografia. Assim, sabendo da dificuldade de divulgação do até então “Jacarezinho em Foco”. O professor Fábio Caffé deu uma forcinha, e informou a revista Viração, lá de São Paulo sobre o trabalho que tais jovens haviam feito. Logo depois de 1 mês depois da conversa... surgiu o interesse da redação da revista de divulgar uma galeria de fotos dessa galera na edição. Bem, feito isso os jovens começaram a criar esperanças mais acessas novamente. E, começaram a se reunir junto com outros integrantes da escola, inclusive fotógrafos formados da própria escola, para dar continuidade no projeto. Enquanto os jovens começavam a se reunir para o que de verdade gostariam de fazer... Alguns exemplares foram enviados e apresentados aos alunos da escola de fotógrafos populares, em sala de aula. Foi ae que a emoção tomou conta de todos, e de principalmente dos jovens participantes do “Jacarezinho em Foco” era uma parte do sonho sendo realizado. O que serviu de estímulo para a galera, e depois de algumas reuniões foi criado o até então, Coletivo Multimídia Favela em Foco.
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2 respostas para Retorno ao Morro do Bumba

  1. Baltar disse:

    Belo trabalho, não pode deixar no esquecimento não. Dois meses parecem muito tempo, a grande mídia não para de criar novos fatos, sempre para vender novidades. A dor e o luto, mesmo sendo profundos e marcantes, já são notícias velhas para eles e a comunidade com seus problemas volta a se tornar invísivel.

  2. Léo disse:

    Gosteiiii muito das fotografias como sempre. O texto na verdade é mais uma notícia. Mas Tá tudo bem claro .

    Muito boa galeraaa. Estão todos de Parabéns !

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