Luz nunca é D+ com Pablo Vergara

arte_

É difícil falar da própria fotografia e como ela se constrói, mais vamos lá. Minha fotografia como um todo, nasceu da mistura latina, caboco e indígena. No Chile, país onde nasci a discriminação social, étnica e econômica e pra quem tem traço indígena neste caso traço Mapuche. Tive uma criação renegada, pois sempre tive tudo para me dar bem, mais sabia que tinha um mundo mais além, filho de exilados e torturados políticos pela ditadura militar no Chile, entendi desde muito cedo qual seria meu caminho.

30 anos do Assentamento rural Campo Alegre

30 anos do Assentamento rural Campo Alegre

Meus pais “humanistas” deram plena liberdade em meu crescimento, a rua sempre foi meu berço.  Vendo as desigualdades a minha volta, cresce comigo a cercania pela gente reprimida e explorada no Chile. Nunca fechei os olhos pra ela, pois enxergava o carinho e amor proletariado em cada canto de Santiago. Desde criança as portas se abriam pra mim e esse povo que sempre me ajudou na rua, parecia entender meu carinho e eu o deles.

Onibus Lotado na Central do Brasil.

Ônibus em dia de chuva na Central do Brasil.

Minha fotografia então nasce a muito tempo, mesmo sem saber aonde chegaria a isso. O caminhar me fez chegar na CAP (Colônia de Agricultores de Paramillo) na Argentina, um local de imigrantes bolivianos que organizaram uma cooperativa de trabalho, ainda não fotografando mais articulando vários movimentos compreendi assim no Brasil que tinha que retratar fotograficamente meu olhar. No Brasil morei na Favela Júlio Otoni, onde carregando material fiz meu espaço, logo após surgiram trabalhos na favela do Coqueiro em Campo Grande. Apesar da minha cercania, jamais consegui avaliar a frieza com que matavam tanta gente, pessoalmente gente que fazia parte de meu círculo. Demitido comprei meu primeiro equipamento fotográfico com a indenização, sai de lá e cheguei na zona portuária. Desde então, minha câmera se tornou minha companheira, e a fotografia me fez sentir emoções detrás das lentes que nunca imaginei que sentiria.

Confiram mais imagens aqui

Publicado em Favela em Foco | Deixe um comentário

Festa do Divino

Foto: Aline Oliveira

 

Festa do Divino em Nova Iguaçu, no bairro da Posse

Iniciativa realizada pela mestra D. Antônia, maranhense residente no Rio de Janeiro desde 1959. A Festa segue as tradições religiosas transmitidas por sua família há centenas de anos, em sua casa foi levantado o Centro de Tambor de Mina Abassá de Iansã e Obaluaiê, onde o ciclo do Divino Espírito Santo é realizado há 39 anos, reunindo a comunidade de maranhenses residentes no Rio de Janeiro e outros adeptos, interessados nas tradições das Caixeiras do Divino. Essas tradições vêm sendo mantidas pela mestra que tem buscado formar sucessores dentro e fora de sua família para que a herança se preserve:

”Desde os sete anos de idade acompanhava minha mãe nas funções de caixeira. Mais tarde, já no Rio de Janeiro, depois que ela ficou doente, assumi suas obrigações religiosas, orientada por um Guia Espiritual que me auxiliou em tudo que ainda não sabia sobre as tradições da Festa do Divino Espírito Santo”.

No Rio de Janeiro o Culto ao Divino se distingue especialmente das demais formas existentes, por ser celebrado por mulheres que conduzem ritualmente a festa, as Caixeiras do Divino, que vieram do Maranhão e aqui tornaram se mantenedoras desta rica cultura, a irmandade de caixeiras se reúnem nas datas da festividade para o Divino, para o fortalecimento da tradição.’

Confiram as imagens em nossa galeria

Publicado em Favela em Foco | Deixe um comentário

Direito de viver – Vila Autódromo

Remoções em Vila Autódromo

 

A comunidade Vila Autódromo, localizada à beira da construção do Parque Olímpico, vem passando por dias difíceis. As remoções no local estão a todo vapor e mesmo com o Prêmio “Urban Age” conquistado pela criação de um plano popular, criado por moradores com o auxílio de estudantes, professores, ativistas e integrantes doNEPLAC/ETTERN/IPPUR/UFRJ (Núcleo experimental de planejamento conflitual do laboratório Estado, trabalho, território e natureza do Instituto de pesquisa e planejamento urbano e regional da universidade federal do Rio de Janeiro) e do NEPHU/UFF (Núcleo de estudos e projetos habitacionais e urbanos da universidade federal fluminense),não garantiu o direito de permanência de alguns moradores.

Mais infos sobre o plano popular aqui: http://comitepopulario.files.wordpress.com/2012/08/planopopularvilaautodromo.pdf

O plano popular afirma o direito de viver dos moradores, com condições adequadas de vida, como: direito ao desenvolvimento urbano local, econômico, social e cultural. O plano não contou com o auxílio de empresários, governantes, tecnocratas ou parcerias público-privadas. Foram os moradores que levantaram suas necessidades, durante meses em reunião para a conclusão deste projeto. Parece que somente a prefeitura do Rio de Janeiro não vê o tamanho desta proposta. A nova forma de inventar a cidade, criada pela Vila Autódromo, não faz parte do projeto de cidade ditatorial imposto pela prefeitura. A lógica de atuação por parte da prefeitura, fere os direitos da democracia que caminha a passos lentos. É inadmissível, um projeto de urbanização como este, não ser aceito.
Integrantes do Favela em Foco, estiveram na Vila autódromo essa semana. (16/07) Caminhando pelas ruas, reencontrando ativistas locais, em conversa, constatamos que uma pressão está ocorrendo na comunidade. Não foi preciso caminhar muito para ver bastante entulho, mosquitos, perceber a falta d’agua, má iluminação e os poucos equipamentos de utilidade pública, quase que inabitáveis. Para muitos moradores essa é uma pressão proposital na qual força os remanescentes a desistirem de viver nessas condições e aceitarem a remoção. O direito à vida dessas pessoas estão sendo negados, entretanto, os mesmos moradores insistem em afirmar sua existência e não desistirão da luta. A Vila resiste!

Vejam algumas imagens em nossa galeria:

Publicado em Favela em Foco | 1 comentário

Choro e Gás

arte

 

13 de Julho de 2014. Final de Copa do Mundo entre Alemanha x Argentina. Para os amantes por futebol seria um belo jogo, para os argentinos o tricampeonato tão esperado. Os bares estavam lotados, a concentração no Terreirão do Samba bem animada. Porém, não foi só de Copa do Mundo que milhares de pessoas viveram neste dia. O ato “A festa nos estádios, não vale as lágrimas nas favelas” que dentre inúmeras reivindicações, lembrava o desaparecimento de 1 ano do pedreiro Amarildo de Sousa. A manifestação contou com a presença de diversos ativistas que se concentraram na Praça Saens Peña, onde foram duramente reprimidos por policiais militares.

Minutos antes do jogo começar o cerco já havia sido formado. Policiais criaram verdadeiras barreiras humanas na saídas da praça, sem que deixasse nenhum manifestante sair do local. Depois de diversas confusões generalizadas, bombas de efeito moral, gás de pimenta, tiros de borracha e total descontrole da PM, o que via-se eram muitas lágrimas nos arredores da grande tijuca, jornalistas e ativistas agredidos.

Alguns integrantes do Favela em Foco registraram esses momentos, confiram:

Galeria de Fotos

 

Publicado em Favela em Foco | Deixe um comentário

Paz, Pacificação e UPP na favela


arte_

 

Nunca aceitei o termo “pacificação”, adotado como slogan pelo governo e repetido por todos os meios de comunicação. Por consenso paz é um estado de espírito desejado e que pode ser alcançado individual ou coletivamente. Muitas vezes é confundido com plenitude, já que não podemos ter paz enquanto não saciarmos nossas necessidades básicas. Então Sem escola não há paz, sem saúde não há paz, sem saneamento básico não há paz, sem lazer não há paz… mas o povo guerreiro das favelas sabe onde encontrar paz, solidariedade, alegria e vontade de viver apesar de tudo.

Foto: Luiz Baltar

Foto: Luiz Baltar

A paz é um estado de equilíbrio e entendimento em si mesmo e entre outros, onde o respeito é adquirido pela aceitação das diferenças, tolerância, os conflitos são resolvidos através do diálogo, os direitos das pessoas são respeitados e suas vozes são ouvidas, e todos estão em seu ponto mais alto de serenidade sem tensão social. Podemos afirmar que a política de “pacificação” não tem como trazer paz para os moradores das comunidades ocupadas, seu objetivo é garantir a sensação de segurança para os moradores do restante da cidade, ou para quem transita nas regiões ocupadas utilizando de força policial e controle territorial onde a democracia não pode ser exercida fora das atividades permitidas.

Foto: Luiz Baltar

Foto: Luiz Baltar

Paz para quem?

Pelas informações do site oficial do BOPE, com o decreto nº 42.787 de 06 de Janeiro de 2011, ficou estabelecido o programa de pacificação, dividindo a implantação de UPP em quatro fases:

1) Intervenção tática;
2) Estabilização;
3) Implantação da UPP;
4) Avaliação e Monitoramento.
O BOPE, como todos sabem, é o batalhão de operações especiais, uma força de intervenção militar treinada para situações críticas e de guerra ao tráfico de drogas. Com mais de três décadas de existência protagonizou inúmeras operações em favelas que terminaram com chacinas e mortes de moradores. Apesar disso, o BOPE ficou encarregado da missão de “pacificar” as comunidades, segundo afirmam no site “…a unidade não somente ocupa o terreno, mas também promove atividades de interação com a comunidade, como reuniões, torneios esportivos, eventos religiosos entre outros.” Com as ações desse novo “comando” as UPPs se tornaram os novos “donos do morro”, decidindo o que pode, o que não pode e quem pode.

Foto: Luiz Baltar

Foto: Luiz Baltar

Segundo Maria Helena Moreira Alves, Doutora em Ciência Política pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts e autora do livro Vivendo no Fogo Cruzado (Unesp), “Onde as UPPs foram instaladas há um Estado de exceção. As pessoas têm seus direitos constitucionais mais básicos desrespeitados no dia a dia. Os policiais entram e saem das casas quando querem, atiram em quem querem, tudo com a justificativa de que se está combatendo um inimigo maior, o traficante. Não é nada muito diferente do que acontecia na ditadura… A polícia mata mais hoje do que na ditadura militar, sem que a sociedade brasileira, em especial as classes média e alta, demonstrem a mesma indignação de outrora. Duas missões da ONU já vieram ver o que acontece no Rio e fizeram relatórios muito sérios”

 

Queremos ser felizes e andar tranqüilamente na favela em que nascemos.

Nesses 5 anos de existência as Unidades de Polícia Pacificadora não conseguiram romper com o modelo de segurança pública que remontam ao império e apenas a continuam colocando em prática as duas primeiras fases do programa de pacificação do BOPE, que são: 1) Intervenção tática; 2) Estabilização.

 

Após as últimas manifestações que acabaram duramente reprimidas, no Complexo do Alemão e em Manguinhos, surgem Plenárias e Assembléias Populares, mostrando que a demanda dos moradores continua sendo por participação e diálogo sobre o futuro da segurança nas favelas. Os moradores do Complexo da Maré preocupados com as violações de direitos que podem ocorrer durante a maior, e talvez a mais bélica, das ocupações militares, estão também se organizando para promover eventos artísticos e assim mobilizar a comunidade e chamar a atenção da população do Rio de Janeiro. A intenção é que não se repitam casos como o desaparecimento do Amarildo na Rocinha e de assassinatos de jovens por policiais como: André de Lima Cardoso (19 anos) Pavão-Pavãozinho, José Carlos Lopes Júnior (19 anos) morador de São João, Thales Pereira Ribeiro D’Adrea (15 anos) e Jackson Lessa dos Santos (20 anos) Morro do Fogueteiro, Mateus Oliveira Casé (16 anos) Manguinhos, Paulo Henrique dos Santos (25 anos) Cidade de Deus, Aliélson Nogueira (21 anos) e Israel Meneses (23 anos) Jacarezinho, Laércio Hilário da Luz Neto (17 anos) Morro do Alemão.

Foto: Luiz Baltar

Foto: Luiz Baltar

Como disseram os moradores do Alemão em seu manifesto: “As propostas de “PAZ” devem ser construídas coletivamente com toda a favela. Não se constrói uma política de paz, com o pé na porta, agredindo gratuitamente seus moradores, não se constrói paz com caveirão. No atual modelo, “independente de quem manda”, os moradores continuam sem ter sua voz ouvida.Temos a consciência que o pobre tem seu lugar.”
Texto e fotos: Luiz Baltar

confiram mais em nossa galeria:

Publicado em Favela em Foco | Deixe um comentário

Garis em greve

Foto Elisângela Leite_13

Milhares de garis – homens e mulheres – se reuniram nesta manhã, 07.03.2014, para mais uma manifestação no centro do Rio de Janeiro. A categoria que reivindica um piso salarial de R$ 1.200,00 por mês, 100% de horas extras aos domingos e feriados, plano odontológico aumento do vale-alimentação, de R$ 12 para R$ 20, entre outras coisas, saiu da Prefeitura do Rio de Janeiro e seguiu até as escadarias da Câmara municipal.

O ato se configurou pela alegria, imaginação, revolta e esperança, entoada por cânticos dirigidos a copa do mundo, ao prefeito Eduardo Paes e a suas causas trabalhistas. Movidos pela bateria nota 10 dos próprios garis com suas caçambas de lixo, latinhas e pandeiros, realizaram uma manifestação comovente, apoiada por diversas pessoas na rua e prédios do centro.

Amanhã, 08.03.2014, as 10hs, em frente a Central do Brasil, ocorrerá mais um ato na cidade. O recado está dado. Se o prefeito não aumentar o salário dos garis, o Rio vai feder!

Foto: Luiz Baltar

Foto: Luiz Baltar

Foto: Léo Lima

Foto: Léo Lima

Foto: Elisângela Leite

Foto: Elisângela Leite

Foto: AF Rodrigues

Foto: AF Rodrigues

 

Confiram mais imagens em nossa galeria:

 

Publicado em Favela em Foco | Deixe um comentário

A desigualdade no Brasil tem cor, classe e endereço

Publicado em Favela em Foco | Deixe um comentário